ALEGRIA, O OUTRO NOME DE PATOS

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ALEGRIATEXTO: OSWALDO AMORIM (1997)

Como tantas outras cidades, Patos de Minas nasceu nas trilhas dos tropeiros, esses indômitos caminheiros que completaram a obra desbravadora dos bandeirantes. O pouso à beira de uma lagoa cheia de patos selvagens – origem de nosso nome – foi a semente de um vilarejo, embrião de uma cidade que só fez crescer e evoluir desde nossa emancipação política em 29 de fevereiro de 1868, e que hoje tanto encanta os visitantes.

As terras férteis e planas, a estratégica localização da cidade, a capacidade de trabalho e o espírito progressista dos patenses de nascimento ou de coração formaram a sólida base de nosso desenvolvimento, que nos garantiu lugar de destaque no interior do Estado e do País.

Mas até aí chegaram outras cidades. O que nos distingue, então?

Para mim, a singularidade de Patos está no espírito alegre e festeiro de nossa gente, no seu jeito hospitaleiro, acolhedor e comunicativo – fugindo da imagem clássica que se difundiu do mineiro: reservado e desconfiado. Por isso, ouso dizer: Alegria é o nome de Patos.

Foi sempre assim? Não sei! Mas creio que esse espírito se acentuou ou se definiu no pós-guerra, com o admirável surto de progresso então iniciado que atraiu gente para cá, especialmente na década de 1950. Claro que estou fazendo um exercício de imaginação e não trabalhando com fatos concretos, como faz um historiador ao alinhavar uma seqüência de episódios e datas. Um exercício, entretanto, capaz de acertar o alvo ou chegar perto. Levando-o ainda mais longe, parece-me possível que até a política tenha concorrido para esse espírito alegre dos patenses. Mais precisamente, a estratégia dos Maciéis de atração dos forasteiros, tão bem desenvolvida pelo Coronel Farnese (irmão do Presidente Olegário), numa ação que incluía visita e oferecimento de préstimos aos recém-chegados. Tudo com tempero de simpatia.

Ante a esmagadora supremacia numérica dos Borges e dos Caixetas, parece-me que a única possibilidade de dominação política para os Maciéis era a conquista dos forasteiros. Vale dizer, de sua amizade e apoio. O reflexo dessa política, longamente cultivada, era visível nos áureos tempos do Aero-Clube – dos Maciéis e aliados -, onde o número de patenses adotivos era incomparavelmente maior que no clube rival, a então fechada Sociedade Recreativa Patense – dos Borges e aliados.

O tempo passou e tudo mudou, incluindo os Maciéis que, se já eram poucos, hoje virtualmente sumiram. Mas creio que a prática de conquistar os forasteiros por meio de uma acolhida alegre e calorosa acabou introjetada na alma patense. Como dizem os italianos, “Se non è vero, è bem trovado”. Ou seja, se não é verdade, é bem apanhado.

* Fonte: Texto publicado na edição n.º 36 de 23 de junho de 1997 do jornal O Tablóide, do arquivo de Fernando Kitzinger Dannemann.

* Foto: Recantogalatico.blogspot.com.

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