OLYMPIO BORGES ELOGIA O CEL. ANTONIO DIAS MACIEL

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AO histórico das famílias Borges e Maciel é repleto de feitos em prol do crescimento de Patos de Minas. Cada uma contribuiu com seu quinhão para que as benesses chegassem aos habitantes em forma de progresso. Entretanto, Nem Tudo Foram Flores Entre os Macieis e os Borges. Este é o título de um livro que Gaspar Pereira publicou em 2003 sobre a trajetória das duas famílias em solo patense. De acordo com o autor, as rusgas ideológicas e partidárias foram frequentes entre elas, principalmente após a proclamação da República em 1889, gerando consequências muitas vezes trágicas.

Segundo Deiró Eunápio Borges Júnior, em seu livro De Deiró a Deiró, Memórias de um Menino de Recados, entre essas duas famílias, embora existisse uma “separação natural”, até 1904, houve “um como simulado acordo”. Fatos relevantes, de um momento para outro, teria levado a uma oposição declarada dos Borges aos Maciel. A resposta seguramente se encontra em um conflito ideológico-religioso e político-partidário que desembocou em ameaças, violências e mortes.

Quando da queda da Monarquia, em sessão de 09 de dezembro de 1889, o vereador Sesóstris Dias Maciel (Major Gote), filho do Cel. Antonio Dias Maciel, propôs a adesão da Câmara ao Governo Republicano. Conforme a ata, o único voto contrário foi dado pelo vereador monarquista Major Olympio Borges, filho do Capitão José Antônio Borges. Na sessão de 12 de dezembro, Olympio se declara contrário à República e exonera-se da Comissão de Redação. Talvez este tenha sido a primeira desavença política real entre eles.

O episódio acima permite criar conjeturas sobre uma possível inimizade entre o pai do Major Gote e o pai do Major Olympio, assim como entre os dois filhos, principalmente. Mas a História nos apresenta um documento que contradiz esta possibilidade de cizânia, pelo menos entre as partes envolvidas. Foi escrito por Olympio Borges que era pessoa por demais respeitada na cidade, assim tanto como os outros. E ele, o Major Olympio, publicou em 11 de junho de 1911 um pequeno texto no jornal O Commercio¹ que enaltece as qualidades pessoais do Cel. Antonio pela passagem de um ano de sua morte. O pequeno texto é um raríssimo documento onde um Borges elogia um Maciel e vice-versa.

A 1.º de junho de 1910, faz hoje um anno, a população desta Cidade recebeu, consternada e cheia de pesar, a infausta noticia do fallecimento do venerando ancião cujo nome encima estas linhas – Cel Antonio Dias Maciel.

Sabia-se melindroso seu estado de saùde, para o que muito contribuia sua idade avançada, mais de 84 annos; não obstante isto, sua morte veio encher de dor e lucto a quantos o conheciam.

Narrar o que fez em beneficio desta terra, para onde veio ainda môço; analysar as qualidades que o punham em destaque entre seus concidadãos não cabe nos estreitos limites deste singelo artigo, cujo fim è manifestar o tributo de minha veneração à memória do pranteado morto.

A’ sua veneranda viuva, a seus dilectos filhos e mais membros da familia renovo, no dia de hoje, os sentimentos do mais profundo e sincero pesar.

Patos, 1.º de junho de 1911.

Olympio Borges.

* 1: Do arquivo do Laboratório de História do Unipam.

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