ILAÇÕES DA FENAMILHO DE 1982

Postado por e arquivado em FESTA DO MILHO.

A1TEXTO: OMAR ALVES TIBÚRCIO

Em que pesem estarmos ainda sob os efeitos, para nossa felicidade, na maioria, benéficos da XXIV Festa Nacional do Milho, já se pode, em toda a sua realidade, tecer algumas considerações, breves que sejam em torno dos mesmos.

Efetivamente, tivemos durante praticamente mais de dez dias de festividades, promoções e realizações, todas elas inerentes à Festa Nacional do Milho, a qual, na atualidade, não é mais de Patos de Minas, mas de todo o Alto Paranaíba e de Minas Gerais.

Sob os aspectos efetivos, deveremos salientar que durante a duração da XXIV Festa Nacional do Milho e principalmente nos seus últimos dias, dezenas, se não centenas e centenas de patenses que residem fora de Patos de Minas, vieram à Terra comum a fim de assistir às solenes festividades da Fenamilho, e com maior razão rever os seus parentes e amigos.

Por outro lado, pelo lado material ou empresarial também várias centenas de pessoas, homens de empresas, dirigentes de associações, administradores de entidades de classe e, bem assim, autoridades, em todos os escalões, municipal, estadual e federal, estiveram presentes à Festa Nacional do Milho, a fim de verificar as atividades dos patenses e, sobretudo, as nossas possibilidades e potencialidades econômico-financeiras.

Aliás, destes contatos, com evidência fora de série, é que Patos de Minas, caso os seus filhos saibam aproveitar por assim dizer a oportunidade, tirar o proveito necessário e indispensável que possuem em tempo remoto, ou próximo, a longo ou médio prazo, trazer para Patos de Minas elementos e atividades que possam acelerar o nosso progresso e desenvolvimento.

Em efeito nos dias em que estamos comemorando o 90º aniversário de nossa emancipação política¹, testificando que somos uma comunidade ainda jovem, Minas e o Brasil tinham suas vistas voltadas para a nossa Terra e nossa gente.

E, com isto, todos patenses de coração e de nascimento sentiam – e ainda sentem – um justo orgulho a verificar de maneira tocante quanto espontânea, que somos uma comunidade, apesar de jovem, que muito terá e poderá fazer em prol da nossa Região e do nosso Estado.

Se é verdadeira a assertiva de que um povo vale pelo que é, apesar de todas as vicissitudes em que se possam atravessar é mais verdadeira ainda a afirmação de que este mesmo povo vale mais ainda pelo que pode ser em tempos porvindouros.

Efetivamente nos tempos em que atravessamos de crises e mais crises de intranquilidade em todos os setores e em todos os sentidos de conturbações internacionais num fenômeno bem esquisito e quase incompreensível de crise e de fartura de inflação e de deflação de recesso e de expansão, realizar uma festa como a XXIV Festa Nacional do Milho, estranhando-se outras festividades, não é tarefa para qualquer comunidade.

Conclusivamente, se os patenses de coração e de nascimento são capazes de assim proceder com muito maior razão eles poderão unidos pensando exclusivamente em nossa comunidade trabalhar a fim de que as nossas mais caras e justas reivindicações sejam plenamente realizadas.

E com elas impulsionar Patos de Minas na senda do progresso do desenvolvimento e do bem estar e com isto também trazer benefícios à nossa vasta e rica região que está precisando a fim de que possa receber os benefícios e os trabalhos a que faz jus, que seus filhos continuem com o espírito unitário e trabalhista da Festa Nacional do Milho injetando-o em outros setores das atividades pessoais e grupais com o escopo de partindo de uma célula mater que é o município construir um Mundo Melhor ao qual assim sucedendo pioneiro do mesmo será Patos de Minas.

NOTA: Ilação significa dedução, suposição, inferência. É o ato de chegar a uma conclusão final, sobre determinados fatos ou princípios. É formular uma hipótese através de seguidos raciocínios.

* Fonte: Texto publicado com o título “Ilações da Fenamilho” na edição de 29 de maio de 1982 do jornal Correio de Patos, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Cartaz da Fenamilho de 1982, do arquivo da Fundação Casa da Cultura do Milho.

* 1: É um equívoco, e não é culpa do Omar e de nenhum patense pós século 20. A causa é política. A Vila de Santo Antônio dos Patos se emancipou em 29 de fevereiro de 1868. Portanto, no ano do artigo estaria com 114 anos de autonomia. Apesar da autonomia, ainda não era considerada “cidade” por causa das exigências legais. Isso só foi conseguido  24 anos depois, em 24 de maio de 1892. No entanto, as nossas autoridades houveram por bem comemorar a data aniversária da elevação da Vila à categoria de Cidade e não a elevação do Distrito à categoria de Município. Por isso o Centenário de Patos de Minas foi comemorado em 1992. Sobre este imbróglio, leia o texto “A Questão da Data de Aniversário de Patos de Minas”.

Compartilhe