PRECISAMOS DE UMA RODOVIÁRIA

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A1TEXTO: JOSÉ ALCIDES LEAL LIMA VERDE (1950)

Atestado eloquente de nosso desenvolvimento e que por si mesmo fala, é o número significativo das empresas de ônibus, retalhando o nosso município em os mais diversos percursos de ligações rodoviárias ou para aqui convergindo dos mais diferentes pontos, num intercambio constante de valores comerciais inter-municipais e até mesmo – apressamo-nos em noticiar – inter-estadual, pois que dentro em breve estaremos ligados à Goiânia por meio de uma dessas empresas rodoviárias.

Ressalta, portanto, aos olhos de todos nós a grandiosidade dessas iniciativas, que fielmente traduzem o esforço de redundancia incentivadora, para que o govêrno municipal volte as suas vistas para a construção de uma estação rodoviária em nossa cidade.

Nada menos de 23 ônibus têm o seu ponto de partida aqui, ou para aqui têm a sua convergência e nada mais natural que os srs. empresarios fossem aquinhoados com um pavilhão ali na Praça dos Boiadeiros ou Antônio Dias, onde, uma e outra oferecem a facilidade de acesso e têm ainda a estratégia central da cidade.

Não ignoramos que neste sentido já houvesse tido iniciativa particular capaz e capacitada para abalançar-se ao vultoso empreendimento e que sómente não teve apôio do poder competente. Este, por sua vez, houve por bem projetar algo com a mesma finalidade, mas, infelizmente, mereceu desdenhosamente o eterno “arquive-se”.

O certo é que, feito de tal envergadura não poderia absolutamente ficar à espera de oportunidades para um futuro por demais incerto e assás duvidoso, ou negar-se a favorecer àqueles que, entusiasticamente, prevendo lucros compensadores empenham-se resolutamente em reverter capitais, ao mesmo tempo que cooperam pelo progresso de nossa terra.

Sugerindo um daqueles pontos estrategicos estamos, talvez, divergindo do modo de pensar de alguns outros, que, receiosos nos apontam o final da av. Liberdade¹ ou as quebradas por detrás dos Moinhos² como sendo de maior largueza e comportando espaçosamente em edifício maior.

Diremos entretanto que o centro oferece superiores vantagens, não somente aos srs. viajantes, no caso melhormente beneficiados, como tambem aos proprios empresarios e mais ainda aos proprietarios de carros de aluguel que teriam o seu “ponto” bem no centro da cidade e aptos a atender aos deveres da profissão sem perder, inutilmente, corridas à procura de fregueses.

NOTA: A nossa primeira estação rodoviária foi construída na Praça Desembargador Frederico e inaugurada em 14 de agosto de 1954. Foi desativada em janeiro de 1983 com a inauguração do novo Terminal localizado na Avenida Piauí.

*1: Hoje Avenida Getúlio Vargas.

* 2: Pouco além do PTC-Patos Tênis Clube.

* Fonte: Texto publicado na coluna Problemas da Cidade da edição de 15 de janeiro de 1950 do jornal O Patense, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Gartic.com.

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