GUERRA DE FRASES

Postado por e arquivado em ARTES, FERNANDO KITZINGER DANNEMANN, LITERATURA.

Esse caso aconteceu em Berababom City, próspera cidade que fica nem longe nem perto de Periquitinho Verde. Trocando em miúdos, isso quer dizer que a distância entre as duas localidades não é daquelas que dá para assustar os que querem ir daqui para lá, ou vir de lá para cá, o que não vem ao caso. O fato é que estudantes periquitinhoverdenses matriculados em faculdades berababonenses, trouxeram a notícia de que uma guerra de frases andou agitando o campus universitário de lá, e muito embora o momento atual seja de trégua, firmada não se sabe por quem com quem, ninguém pode dizer com certeza o que poderá acontecer amanhã, na semana que vem, ou no próximo mês.

Pelas informações que hoje são de conhecimento público, tudo começou quando a turma de Direito da faculdade de Berababom resolveu encomendar em certa loja do ramo, camisetas com uma frase estampada na altura do peito. Essa frase, escolhida entre as muitas preparadas pelos estudantes do curso, dizia o seguinte: “Seu namorado não faz Direito? Vem cá que eu faço”.

Foi um sucesso. Mas aí o pessoal da Medicina ficou “mordido” com o autêntico frenesi em que se transformou a procura pela camiseta, tanto que uma nova encomenda teve que ser feita à loja responsável pela primeira remessa. Então, só para implicar, o que foi que eles fizeram? Procuraram a mesma loja e mandaram preparar um lote daquelas peças de vestuário trazendo em letras vermelhas a frase “Ele pode até fazer direito, mas ninguém conhece o seu corpo melhor do que eu”.

Aí surgiu, então, o pé de briga. A turma da Administração não deixou por menos: fez a mesma coisa, só que a frase era “Não adianta conhecer o corpo, ou fazer direito, se não souber administrar o que tem”.

Logo em seguida os alunos de Agronomia saíram com essa: “Uns conhecem bem, outros fazem direito, alguns sabem até administrar o que tem, mas plantar mandioca como nós, ninguém consegue”.

Todo mundo, quer dizer, os não-futuros-agrônomos berraram, e por isso a história não terminou por aí porque os estudantes de Publicidade decidiram por unanimidade entrar na confusão. E mandaram sua mensagem “De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar e plantar mandioca, se depois não puder contar para todo mundo”.

Nessa altura do campeonato o tititi já estava altamente efervescente, e para complicar as coisas, que não andavam boas, os futuros engenheiros entenderam, por A mais B, que também deveriam participar da brincadeira. E mandaram brasa sem dó nem piedade: “De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar, plantar a mandioca, e poder contar pra todo mundo, se não tiver energia e potência para fazer várias vezes?”.

Pra que, meu Deus do céu? Porque depois dessa provocação atrevida o campus virou uma espécie de anfiteatro com vários palcos e muitos artistas em busca de atenção, e em suas ruas o que mais se via eram passeatas de apoio ou de protesto, discursos em cada canto de prédio, torcidas organizadas e uniformizadas, com faixas e camisetas mostrando sua frase favorita, e isso tudo provocou a suspensão das aulas e a reunião do estado-maior do corpo docente com o reitor, para uma avaliação estratégica do momento conturbado que enfrentavam.

Até que o grupo da Economia resolveu botar mais lenha na fogueira, mas acabou atirando no que viu e acertando no que não viu. Porque sua frase “De que adianta conhecer bem, fazer direito, saber administrar, plantar a mandioca, poder contar pra todo mundo, e ter energia e potência para fazer várias vezes, se mulher gosta mesmo é de dinheiro?”, agradou a gregos e troianos, todo mundo concordou com ela, e se aquela verdade era insofismável, pra que discutir sobre coisas de tão pouca representatividade, porque sem dinheiro, fica difícil para qualquer cristão realizar qualquer uma delas.

Por isso a paz retornou ao campus universitário de Berababom City, mas tem gente que anda se perguntando: até quando?

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