BORBOLETA-DA-COUVE NOS NOSSOS QUINTAIS

Postado por e arquivado em 2015, DÉCADA DE 2010, FOTOS.

Na sua carteira de identidade está registrado Ascia monuste, mas a danadinha de um amarelo desbotado e de quase 6 cm de envergadura é mais conhecida por Borboleta-da-couve. Lá vem ela, esvoaçante e livre, em busca da perpetuação da espécie. Ela procura meus pés de couve, meus viçosos e verdes pés de couve. Espanto-a, envio-lhe palavras de ordem. Ela sobe, eu me afasto, ela volta e agarra-se na borda de uma tenra folha. Aí então, num arco majestoso, encosta seu abdômen na folha e deposita diminutos e lindos ovos amarelos, milimetricamente encostadinhos uns nos outros. Poucos dias depois nascem pequeninas lagartas que, ô dureza, começam a comer a folha, vorazmente. O que fazer? Esmagar os ovos ou não? Esperar, na base do sadismo, as lagartas surgirem para então trucidá-las, esmigalhá-las? Deixá-las crescer para depois transformá-las com os dedos numa pasta esverdeada? Aplicar veneno antes, durante ou depois? Ó dúvida cruel!

Depois de muito raciocinar decidi por deixar a vida rolar. Nada de esmagamentos e nada de venenos. Vão lagartas, devorem uma ou duas folhas de couve, tudo bem, são tantas, uma ou duas não farão falta. Vão lagartas, cresçam, transformem-se em pupas e depois sejam como seus pais, lindas criaturas aladas. Sim, uma ou duas folhas de couve não me farão falta. Venha, Ascia monuste, aqui no meu quintal você sobreviverá. Mas, por favor, não exagerem na quantidade. Será que resistirei a este instinto natureba?

0* Texto e foto (19/07/2015): Eitel Teixeira Dannemann.

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