RÁDIO CLUBE DE PATOS

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5O sonho de uma emissora de rádio em Patos de Minas começou, na verdade, numa festa religiosa em 1935, em Santa Ritade Patos, hoje Presidente Olegário. Modesto de Melo Ribeiro e seu primo Olavo Amorim participavam deste evento. Encontrava-se ali, na ocasião, o viajante comercial Agostinho Trindade, com um pequeno microfone à carvão, adaptado no alto falante de um receptor de rádio, instalado na Casa Comercial do senhor Randolfo Pinheiro.

Modesto e Olavo começaram a “brincar de rádio”. Ficaram entusiasmados com a brincadeira e resolveram continuar com ela em Patos de Minas. Adquiriram a aparelhagem e a instalaram na casa comercial de Modesto, a LOJA NOVA, no local onde funcionou mais tarde, a Filial, na rua General Osório, no edifício Ponto Chic. O brinquedo foi tomando vulto. O amigo deles Nhonhô Correia, resolveu também entrar naquele movimento e entrou com os seus conhecimentos técnicos para aquisição de um possante sistema de alto-falantes Phillips, sendo fundada uma nova sociedade com o nome de RÁDIO MELHORAMENTOS DE PATOS.

Em 1940, João Gualberto de Amorim Júnior, tio de Modesto e mais o seu filho Ruy Gualberto de Amorim se juntaram aos pioneiros para a fundação definitiva da Rádio Clube de Patos, nome sugerido por Olavo Amorim. O estúdio provisório foi instalado na rua Benedito Valadares – hoje rua Major Gote, entre os quarteirões das ruas General Osório e Afonso Pena, nos fundos onde, até há um pouco tempo, funcionava a Pharmácia São José (hoje, seria ao lado Sacolão).

Nhonhô Correia teve um papel preponderante no surgimento da Emissora. Ele e Modesto de Melo Ribeiro foram ao Rio de Janeiro, a fim de conseguir o prefixo da Rádio junto ao DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão governamental habilitado para tal procedimento. E assim, começava a funcionar a pioneira da radiodifusão regional e uma das primeiras do interior do Brasil. Com a legalização no Rio de Janeiro junto ao DIP e DCT, cabia ao Sr. Bruno Corsini a montagem dos transmissores e a equipe técnica do Nhonhô Corrêa a montagem dos estúdios e da antena, que foi instalada no Córrego do Monjolo, hoje  Bairro Antonio Caixeta.

FUNDAÇÃO DA RÁDIO CLUBE DE PATOS S/A

Dia 16 de maio de 1940, 13 horas, na rua Benedito Valadares – atual rua Major Gote, nos estúdios da Amplificadora RÁDIO MELHORAMENTOS DE PATOS, começava a Assembléia Geral para a constituição da RÁDIO CLUBE DE PATOS S/A. A convocação foi feita pelo incorporador, reunindo-se os acionistas da nova empresa, Bernardino Corrêa Júnior (Nhonhô Corrêa), Modesto de Melo Ribeiro, Ruy Gualberto de Amorim, Olavo Gualberto de Amorim, João Gualberto de Amorim Júnior (Zico Amorim), todos eles tomadores de 180 ações. Ainda participavam como acionistas as senhoras Maria da Conceição Borges de Amorim, mulher de João Gualberto de Amorim Júnior (Zico) e Pérola de Dominicis Amorim, mulher de Ruy Gualberto de Amorim, cada uma com 160 ações.

O presidente da Assembléia, Bernardino Corrêa Júnior solicitou que o secretário fizesse a leitura dos Estatutos de Sociedade. Terminada a leitura e ninguém desejando fazer uso da palavra, o presidente declarou estarem os mesmos aprovados. A seguir foi feita a leitura dos termos do recibo do depósito da décima parte do capital social. Em obediência aos Estatutos, cada acionista depositou a importância de 6.000$000 (seis mil réis), correspondente a dez por cento do valor total.

O presidente da Assembléia, Bernardino Corrêa Júnior, a seguir, solicitou que fossem nomeados os diretores e membros do conselho fiscal para a formação da diretoria, eleita para o primeiro triênio. Por aclamação foram eleitos:

Presidente: Modesto de Melo Ribeiro – Diretor superintendente: Ruy Gualberto Amorim – Diretor Técnico: Bernardino Corrêa Júnior

Conselho Fiscal: Olavo Gualberto Amorim, José Olavo Ribeiro, Sílvia Mello Ribeiro, Eurico Mello Ribeiro, Pérola Dominicis Amorim, Maria da Conceição Borges de Amorim

NO AR A ZYB-4, RÁDIO CLUBE DE PATOS

29 de novembro de 1940, no auditório do Cine Tupan, na rua Benedito Valadares, atual rua Major Gote. Neste dia realizou-se a solenidade oficial de inauguração da RÁDIO CLUBE DE PATOS¹. O orador foi o Dr. José Olímpio Borges. Depois da solenidade oficial, foi realizado um baile de gala no mesmo edifício Tupan, no piso superior, onde funcionava o Aero Clube de Patos de Minas, com uma orquestra de fora, especialmente contratada para o evento.

UMA HISTÓRIA DE MAIS DE 70 ANOS

A Rádio Clube de Patos, que festejou os seus 70 anos em 2010, em festa que contou com o lançamento do livro “Rádio Clube – 70 anos e suas histórias”, realizado pelo jornalista Adamar Gomes e lançamento do selo comemorativo, em parceria com os Correios, continua preservando os mesmos ideais de seus fundadores. É uma Emissora voltada para as causas de Patos de Minas e região, pelas campanhas que realiza e pelo espaço que abre em sua programação para valorizar as conquistas de nossa terra.

O exemplo maior é a grandiosa campanha de Folias de Reis, que se iniciou no final da década de 50 e que tem continuidade até nos dias de hoje, visando à valorização do folclore e a ajuda indispensável ao Dispensário São Vicente de Paulo. As folias angariam donativos em espécie e dinheiro nas suas andanças e, quando de suas apresentações “ao vivo” na Emissora, repassam toda a arrecadação à Sociedade São Vicente de Paulo. A Rádio Clube serve de elo entre os foliões e as famílias mais necessitadas, assistidas pelo Dispensário. Vale ressaltar os iniciadores desta campanha, Sebastião Alves do Nascimento (Binga), dirigente da Emissora e o comunicador Patrício Filho, apresentador das Folias até sua morte em 1997, quando foi sucedido pelo radialista Walico Pereira.

Assim, em 2013, a “Líder do Alto-Paranaíba” continua a sua caminhada, com a responsabilidade de bem informar e levar entretenimento aos seus milhares de ouvintes, justificando o slogan “liderança e credibilidade”.

* 1: Na realidade, a Rádio Clube de Patos foi fundada em 1941. Leia “Inauguração da Rádio Clube de Patos – Revisão da Data” e “Baile de Inauguração da Rádio Clube de Patos”.

* Fonte e fotos: Rádio Clube – Setenta Anos e Suas Histórias, de Adamar Gomes.

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