UM ESTORVO PARA O ZÉ JORGE E VIZINHANÇA EM 1979

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2TEXTO: RAJOTA (1979)

… tá tudo explicado, né?

Pois é, uai. Em número anterior do BI, eu disse que não ia escrever mais sobre o estacionamento dos ônibus na “problemosa” rua Agenor Maciel.

Falei e disse. Não escrevo mais mesmo. Por minha conta podem enfileirar os ônibus de todas as Empresas, dos dois lados da rua que eu não escrevo mais nada sobre o assunto. Ora, vai indo a gente cansa, né? Afinal de contas, eu não moro e nem tenho propriedade na referida rua. Assim sendo, mesmo em sendo eu casado, não me chamo Joaquim e nem moro em Niterói; logo, o quê que eu vou fazer na ex-Capital do Rio de Janeiro?

Acontece, porém, que os moradores da dita cuja supra acima mencionada rua continuam reclamando. É um direito deles, né? Inda ontem eu me encontrei com Zé Jorge. Não preciso dizer quem é o Zé Jorge, pois quem não conhece “aquela figura impoluta, caráter sem jaça” que mora na rua Agenor Maciel?

Há algum tempo (dois meses, se tanto), casou-se uma filha do Zé Jorge. Tiveram dificuldade para encostar os carros que participaram do cortejo nupcial, porque, como sempre, os ônibus do Expresso davam-se “Ao Luxo” de permanecer ali, sendo, como de costume, varridos e tranquilamente lavados… Não pensem que eu esteja puxando saco do Zé Jorge. Eu nem mesmo me encontrava entre os convidados. Acontece apenas que aquilo não estava, não está e nunca estará certo.

E também não foi isso o que o Zé Jorge me falou ontem. Disso eu fiquei sabendo por intermédio de outras pessoas. O que ele me falou ontem, em tom de brincadeira (mas estou certo de que ele falava sério), foi o seguinte: “Pois é, Rajota, como jornalista você está com ‘três caminhões de nada, vazios’. Os ônibus continuam estacionados na nossa rua, sendo ali varridos e lavados. E não tem jeito mesmo. Outro dia chamei um fiscal da Prefeitura, levei-o até lá e fiz a minha reclamação. Não adiantou coisa alguma. Aliás (e ainda é o Zé Jorge que está falando) eu pedi ao fiscal que, já que ninguém tem autoridade bastante para coibir o abuso, que pelo menos, a Empresa recolhesse o lixo e a água suja em sacos plástico e os levasse de volta para o Carmo”. Este foi o “desabafo” do Zé Jorge, “que nada mais disse e nem lhe foi perguntado” e que eu, o velho Rajota, bem e fielmente transcrevi para esta coluna, para o presente e para as futuras gerações.

E vai daí, eu acabei ficando “encucado”. Fiquei mesmo, siô. Afinal de contas, haverá (e quais serão?) “forças ocultas” que apoiam o Expresso de Luxo, permitindo-lhe fazer, em nossa Cidade, aquilo que talvez não lhe seja permitido fazer lá no Carmo? Talvez, né? Eu não entendo e nem quero entender dessas coisas, especialidade do Chico Xavier… Nesse “chaveco” eu “num tô nem aí”… Saravá…

Finalmente, conversando com um caipira sobre o assunto, ele, com o seu risinho matreiro, tranquilizou-me: – “Oia, moço, num fique incabulado cuma coisa tão simpre. Num tem força ocurta nenhuma não sinhore. Acuntece é qui o Carmo tem deputado e nóis num tem, né?”. Bem, sendo assim, tá tudo explicado, pelo menos na opinião do caipira…

* Fonte: Texto publicado com o título “Bem, Sendo Assim” na edição de 18 de março de 1979 do jornal Boletim Informativo (BI), do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Goias24horas.com.br.

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