LAGOA GRANDE RENASCE EM 1987, A

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LAGOA GRANDE RENASCE EM 1987TEXTO: DIRCEU DEOCLECIANO PACHECO (1987)

Na semana que passou, fui honrado com o convite do Prefeito Municipal, para acompanhá-lo em uma visita a algumas obras de sua Administração na cidade, dentre as quais a Lagoa Grande, que muita gente, por desconhecer as origens ou por não dar importância à tradição, insiste em continuar chamando de “lagoa dos japoneses”.

Abro aqui um parêntesis, para esclarecer a questão. Aquela lagoa, situada hoje defronte ao Terminal Rodoviário, sempre foi qualificada como grande, exatamente para ser diferenciada de uma outra, muito menor, existente no outro lado da cidade, chamada Lagoinha e que acabou dando nome ao bairro.

Na década de 50 chegaram à nossa cidade algumas famílias japonesas e algumas delas que se dedicavam à horticultura, se instalaram às margens da Lagoa Grande, por encontrar ali condições ideais para o desempenho de sua atividade; e o povo começou então a mudar o nome da velha lagoa. Hoje, resta salvo engano, apenas uma família nipônica naquela região e a despeito da consideração que aquela volumosa gente merece de nós, não existem motivos para se mudar um nome centenário, que continua sendo LAGOA GRANDE mesmo. Fecho o parêntesis.

Sentindo a depredação da bela e imensa lagoa, que à época de minha infância ia além dos limites da atual rodoviária; vendo-a assoreada aos poucos pelo lixo e pelo entulho e invadida em suas margens por construções clandestinas, por mais de uma vez, já me utilizei deste espaço para falar sobre a necessidade de sua urbanização e agora, devo confessar que não acreditava muito em uma solução tão completa e tão rápida como a que já se pode antever.

Primeiro foi a construção da galeria de mais de três quilômetros de extensão, para drenagem da lagoa nos períodos chuvosos, seguida da total recuperação da Avenida Piauí, através da implantação de novas base e sub-base que pudessem receber uma também nova capa asfáltica.

Agora nos últimos dias, foi o ataque definitivo às obras de urbanização propriamente dita com a demolição da casa invasora do terreno fronteiriço à Rodoviária, seguida da limpeza completa do leito da lagoa, por meio de máquina especial, que permite a recuperação imediata do espelho d’água, há muito transformado em pasto de éguas e até em campo de futebol. Concomitantemente, numa verdadeira efervescência que caracteriza as grandes obras, inúmeros caminhões, tratores, patróis e rolos compressores fazem o trabalho da periferia, onde serão implantados, em continuação ao piso de asfalto do leito das Ruas Barão do Rio Branco e Joaquim das Chagas pelas laterais, e igualmente da Avenida Piauí e prosseguimento da Rua Amazonas pela frente e pelo fundo, um passeio para pedestres com dois metros e meio de largura; um canteiro gramado de cinco metros, onde serão plantadas palmeiras imperiais; uma pista de rolamento asfaltada com mão única, para o giro da lagoa, com sete metros; uma nova calçada para pedestres com três metros de largura e finalmente uma rampa gramada que se estende até encontrar uma sapata de concreto ao nível do espelho d’água, a qual irá impedir a infiltração da água e a erosão da rampa.

Na parte do fundo da lagoa (tomando-se o lado da Rodoviária como frente), o prosseguimento da Rua Amazonas é feito em linha sinuosa, com fim ornamental e ali, onde existem hoje aproximadamente trinta casas amontoadas – todas elas fruto de invasões – será construído um pequeno parque arborizado, com os acessórios para uma verdadeira área verde de lazer. E se você, meu prezado leitor, pensa que isso será difícil em virtude da necessidade de desocupação da área – como aliás, eu também pensava – saiba que todos os entendimentos e providências já foram tomados, por uma Administração que tem se preocupado acima de tudo com o problema social. Uma grande área foi adquirida ali mesmo na região, a três ou quatro quadras da lagoa e ainda neste mês, em regime de mutirão, serão atacadas as obras de construção de aproximadamente trinta casas com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, para onde serão levados aqueles moradores, os quais se mostram felizes da vida, pelas condições humanas em que irão viver.

Assim, se não surgirem imprevistos, a um custo de aproximadamente vinte milhões de cruzados, dos quais, três do Ministério de Desenvolvimento Urbano, conseguidos pelo Deputado Federal José Mendonça de Morais, e os outros dezessete da Prefeitura, devemos ter dentro de oito meses aproximadamente, um dos mais belos e aprazíveis recantos urbanos de nosso Estado – a velha LAGOA GRANDE, que renasce depois de tantos anos de abandono.

* Fonte: Texto publicado com o título “…E a Lagoa Renasce” na edição n.º 171 de 15 de outubro de 1987 da revista A Debulha, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Gartic.com.br.

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