DEIXAREI SAUDADE – 13

Postado por e arquivado em 2016, DÉCADA DE 2010, FOTOS.

Desde nova fui simples, humilde e aconcheguei inúmeras consciências. Sabe-se lá que consciências. Mas, desde o primeiro tijolo assentado, passei a pertencer à História de Patos de Minas. Quando fui erguida, aqui era um brejo enorme, a terra do meu querido Mamoré. Nasci há poucos metros do glorioso estádio do Sapão, o Waldomiro Pereira. Sim, o Waldomiro, que por várias vezes passou pela minha porta e cumprimentou meus donos. O tempo passou, e bota tempo nisso, e agora estou prestes a encerrar o meu ciclo de vida. Quando eu for ninguém mais se lembrará de mim, a não ser as consciências que me habitaram. Vou em paz, e mesmo não sendo reverenciada como os casarões da elite, jamais deixarei de fazer parte da existência da cidade. Estou nas minhas últimas forças, mal me sustentando em pé, ali num pequeno beco sem saída de frente a Praça Alexina Cândida Conceição, a pracinha do shopping. Antigamente só tinha movimento por aqui quando o Mamoré jogava, mas todos me viam. Hoje o movimento é intenso, e ninguém mais me vê. É neste endereço onde eu humildemente espero o meu fim. Este verso da música “Peso dos Anos”, de Walter Rosa e Candeia, fala por mim: Sinto que o peso dos anos me invade, vejo o tempo entregar à distância minha mocidade. Oportunamente partirei abandonando as coisas naturais, mas deixarei saudade. Com certeza, e assim vou para a eternidade!

DSC03051* Texto e Foto (03/08/2016): Eitel Teixeira Dannemann.

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