CENA INUSITADA NO CENTRO

Postado por e arquivado em CANTINHO LITERÁRIO DO EITEL.

Sábado de manhã, esquina da Rua Major Gote com sua colega General Osório. O relógio marcava onze horas e dezessete minutos. No tradicional trânsito caótico, uma freada brusca seguida de um barulho de lataria se chocando assustam a nós reunidos numa lanchonete em frente. Olhamos espantados para a reação do cara do carro A, que evadiu de seu veículo bufando mais que cachorro com raiva em direção ao carro B cuspindo palavrões impublicáveis. O agredido verbalmente lhe responde também com impropérios aumentando a temperatura daquela manhã, que já era quente. Nós, como se estivéssemos num camarote apreciando um grande espetáculo teatral, por lá ficamos naquela expectativa de quem seria o primeiro a partir pras vias de fato.

Enquanto os dois seres humanos típicos de nossa raça civilizada continuavam o bate-boca e enquanto nós no camarote esfregávamos as mãos na ânsia do primeiro soco – ê raça civilizada! –, uma moto que estava na Rua Olegário Maciel adentrou na Major Gote a mil por hora, e estava até devagar, ciscando para tudo quanto era lado, normalíssimo, com o condutor – tradicional doador em potencial de órgãos – naquela típica posição com as costas arqueadas se preparando para levantar voo, quando se deparou com a porta do carro A aberta. Mais barulho de lataria se chocando ecoou pelos ares. Ficou lá um corpo estendido no chão.

Isso foi mais do que suficiente para os dois brigões se olharem e depois olharem para a massa corporal estendida no asfalto com cheiro de bosta de cachorro, cavalo e mais sei lá o que. Sangue? Sim, era sangue se juntando ao preto do asfalto para formar as cores do rubro-negro carioca. E as pessoas? Já eram umas trezentas e lá vai fumaça ao redor do circo. Ninguém mais brigava e novo barulho surgiu: a sirene da ambulância do SAMU. Esta coletou o amassado motoqueiro, os dois brigões estacionaram os veículos um pouco à frente para liberar o trânsito e fazer o boletim de ocorrência, as pessoas se dispersaram e… ah, quanto a nós, continuamos o nosso papo, pois a vida segue em frente porque atrás vem gente!

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann (Traquitanas Patenses).

* Foto: Globoesporte.globo.com.

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