ARTISTAS EM AFANAÇÃO DE GALINHAS

Postado por e arquivado em É VERDADE OU MENTIRA?.

Furtar galinha à noite, para comê-la bem tarde em grupo, sempre foi uma grande tradição. Tradição estudantil ou boêmia. O sujeito prepara o ambiente, toma conhecimento inclusive do poleiro da penosa, e muito tarde lá vai ele, de mansinho, buscar o principal da ceia já programada. Quase sempre o dono da bicha é convidado para a galinhada, e participa da mesma, sem saber que o furto foi no seu quintal, ou melhor, no seu poleiro. Quando fica sabendo já é tarde, e acaba por se conformar, pois em última análise pelo menos comeu um pedaço. Assim, sendo a galinhada uma tradição, um advogado estranhou quando foi requisitado para promover a defesa de um sujeito, e logo de cara, entre outras acusações, estava a de desfalcar os galinheiros do distrito de Major Porto para reuniões noturnas.

Tudo acertado na Delegacia, o advogado disse ao delegado que estranhava muito pela medida tão severa, diante de um fato até pequeno. Então, o delegado explicou:

– O negócio não é tão mole como o doutor está pensando. A turma deu para avançar nos galinheiros de tal jeito que não ficou uma só galinha em Major Porto. Hoje, quem come frango, está comprando nas roças. Na sede do distrito não tem. E, além do mais, já estavam até abusando. Veja só o que fizeram com a Dona Tertúlia. Foram tirando as galinhas, uma a uma. Quando ficou só o galo dependuraram um bilhete em seu pescoço com os seguintes dizeres: Fiquei viúvo à meia-noite. Pois bem, passados uns dias, sumiram com o galo e deixaram um bilhete no poleiro, assim escrito: Louco de saudades, parti para onde foram as galinhas. Aí, então, passaram para a casa do Seu Ambrósio. Quando ele descobriu arranjou um cachorro dos mais bravos. Adiantou? Por alguns dias sim. Mas a turma não se afobou. Um dia arranjaram uma cadela no cio, jogaram dentro do quintal e logo depois levaram até os pintos que acharam…

* Fonte: Texto publicado com o título “Galo Viúvo…” na edição de 24 de maio de 1969 do Jornal dos Municípios, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Cidadeverde.com.

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