GRUPO TEATRAL T.A.PA É SUCESSO

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Um grupo, liderado por Vicente Nepomuceno, estava ensaiando a peça “Os Transviados”, de Amaral Gurgel, para apresentação no dia 12 de outubro de 1968. Durante os ensaios surgiu a idéia da fundação de um grêmio teatral em Patos de Minas, com o objetivo de incentivo do teatro e cultura em nosso meio. Animados, diante do êxito da apresentação, Vicente Nepomuceno, Sebastião Pereira, Gui Dias Maciel, Mafalda Nepomuceno, Eduardo Queiroz Ribeiro, Antônio Porfírio, Elismar Campos, Geraldo Humberto de Araújo Caixeta, Hilário Fernandes e Rafael Borges de Andrade, fundaram o Teatro Amador Patense – T.A.PA.

No dia 23 de maio de 1969, o T.A.PA representou a peça “Testemunha de Acusação” no Cine Riviera, durante as comemorações da Fenamilho daquele ano. Obteve grande sucesso. Sobre esta apresentação, um dos fundadores do grupo, Sebastião Pereira, assinou um texto, com o título “O T.P.PA é Sucesso”, publicado no Jornal dos Municípios em sua edição de 08 de junho de 1969:

Começamos por dizer que houve briga, pelo menos vocabular, para que o Teatro Amador Patense tivesse um lugar ao sol na programação as Saudosa XI Festa Nacional do Milho. Felizmente prevaleceu o bom senso de um dos membros da Comissão Central.

No dia 23 de maio próximo passado, nosso grupo, pela quarta vez, encenou a peça teatral, Testemunha da Acusação. Foi a consagração daqueles que sem qualquer a ajuda ou estímulos oficiais, resolveram fazer, com certa constância, teatro em Patos de Minas. No espaço de um ano e pouco, ensaiamos e apresentamos três peças diferentes de autores consagrados, nacionais e estrangeiros.

Nossas exibições chegam ao total de 8 na cidade e 2 fora de nossos domínios. Vale registrar que os artistas amadores patenses mereceram os aplausos calorosos da população de Dores do Indaiá, quando lá estivemos, assim como menção elogiosa na imprensa daquela cidade.

Voltemos à noite do dia 23 de maio, véspera da última Festa Nacional do Milho. Estamos conscientes de que o elogio em boca própria é vitupério. Não partiram eles de nós mesmos. Inúmeros patenses e alguns visitantes nos procuraram para manifestarem sua satisfação em poder apreciar um espetáculo teatral que para eles ficou muito além da espectativa. Vários cidadãos foram unânimes na afirmativa de que foram ao teatro, aqui, pela primeira vez e que não se arrependeram.

Alguém comentava conosco: “Já se me apresentou a oportunidade de assistir a grandes espetáculos teatrais. Nunca havia entrado. A apresentação de vocês chamou-me a atenção para a arte cênica”.

O TAPA com sua última exibição firmou-se favoravelmente no conceito da platéia Patense. Praticamente, sem venda antecipada  de ingressos, conseguimos um público que quase lotou as dependências do Cine Riviera. Não fora coincidência de horário com outras atrações da Festa, a lotação teria sido completa. A Verdade exige que se diga: Moro em Patos de Minas, há mais de dez anos e, em circunstâncias de tal natureza, jamais verifiquei platéia tão numerosa e seleta. Demonstração maiúscula de apreço pela arte, não se poderia exigir mais em matéria de silêncio, atenção e aplausos.

Mas, leitor amigo, nem tudo são alegrias. A vida de artista do interior é aspérrima. Ao lado da consagração popular, a afirmativa contundente da Rádio Clube de Patos, de que o T.A.PA invadira o recinto da emissora e levara objetos que não lhe pertenciam. Éramos acusados de “depenadores”. Deixemos o episódio doloroso para outro artigo de esclarecimento. Nossa versão merece ouvida também. Com quem estará a verdade? Onde a ética profissional?

Nossos agradecimentos sinceros a todos quanto nos prestigiaram, nos aplaudiram e nos incentivaram a caminhar para frente, a despeito mesmo de acusações precipitadas.

Perdoe-nos o leitor se nos perdermos nessas palavras de entusiasmo. Não gostamos de auto-propaganda. Se você não conhece nossa arte modesta, consulte os espectadores. Você acabará por concordar. O T.A.PA é sucesso.

* Fontes: Arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do UNIPAM e Patos de Minas: Capital do Milho, de Oliveira Mello.

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