VOTO MARMITA

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Nas eleições de 1954, prevaleceu o “voto marmita”, o qual estava regulamentado pelo art. 87 do Código Eleitoral de 1950. Em Patos de Minas, no dia da eleição, ainda de madrugada, os eleitores eram recolhidos da zona rural, e os caminhões se deslocavam para os “quartéis” ou “currais eleitorais”, onde os eleitores se alimentavam e recreavam. Eram mantidos “incomunicáveis” naquele ambiente e só saíam na hora da votação. Nesse momento, os coronéis e seus agregados distribuíam as cédulas de seus candidatos. Se o chefe político não sentisse firmeza no voto de algum eleitor, este era acompanhado por algum cabo eleitoral e/ou curimbaba até a seção eleitoral. Havia explicitamente o aliciamento, o controle do poder político e a manipulação das massas por meios ardilosos e ilícitos com a compra de votos e troca de favores.

Donaldo Amaro Teixeira e Manoel Mendes do Nascimento (Pompéia), em 26/1/1994, entrevistaram o ex-prefeito Pedro Pereira dos Santos a respeito do processo eleitoral de 1954 e a utilização do voto “marmita”. Os dois, ex-integrantes dos governos Antônio do Valle e Jarbas Cambraia, afirmam:

O Senhor Pedro Santos nos disse que os candidatos mandavam buscar os eleitores das fazendas para votarem e os deixavam na casa dos chefes. Davam a eles comida, que era basicamente arroz, macarrão e “pelotas”. Após os eleitores se alimentarem, os encarregados (capangas) distribuíam as cédulas já impressas com o nome dos candidatos dentro de um envelope que se chamava “marmita”. O capanga acompanhava um grupo de cinco eleitores até às urnas e depois os trazia de volta para evitar a possível troca de marmitas por parte do candidato adversário, daí o nome de “curral eleitoral”.

No decorrer desta pesquisa, formal ou informalmente, foram entrevistados partidários da UDN e do PSD, as duas correntes políticas hegemônicas na cidade de Patos de Minas, de 1945 a 1965. Sobre o tristemente afamado “voto marmita”, ouvimos dizer que, quando o pleito eleitoral estava muito disputado, uma das estratégias dos dois partidos era contratar mulheres consideradas bonitas para infiltrarem nas longas filas no dia da votação. Elas eram devidamente orientadas pelos caciques dos partidos para se aproximarem de eleitores que possivelmente votariam no partido adversário. Assim, essas moças tomavam dos eleitores mais ingênuos as suas “marmitas”, dizendo que também iriam votar naquele candidato. Então, elas retiravam as cédulas dos envelopes, passando-as nos lábios, beijando-as com batom para marcá-las, com o objetivo de se anular o voto na hora da apuração.

* Fonte: Colégio Estadual de Patos de Minas − Memórias de Sua Criação, de Altamir Fernandes.

* Foto: Todamateria.com.br.

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