MAMORÉ X URT: CIZÂNIA NA DISPUTA DO 1.º CAMPEONATO DA CIDADE

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A Liga Patense de Desportos (LPD) foi fundada em 21 de fevereiro de 1956¹. Naquele mesmo ano a novata entidade promoveu o primeiro campeonato de futebol da Cidade com a participação de Associação Atlética Patense, Mamoré e URT. Mas em plena decisão do 1.º turno, o clima não era amigável, como comenta o Jornal dos Municípios:

Em que pese estar presentes os representantes do Tupi E. C., Rosarense, A. A. Patense e da URT, não se deu a reunião extraordinária convocada para o dia 22 p.p.. O fato, como se depreende, foi motivado pelo atrazo dos senhores membros da Liga Patense de Desportos, não comparecendo na hora aprazada. Aliás, a nossa reportagem esteve presente e pôde notar o desapontamento dos presentes. Isto se deu às 19.50. Ao que parece, a reunião dar-se-á no dia 25, mas é lamentável que a própria Diretoria colabore para um clima de desarmonia, pois notamos que os seus filiados, não ficaram contentes com o sucedido, ouvindo-se mesmo, diversas conjecturas a respeito.

A decisão do 1.º turno ocorreu em 27 de outubro de 1956 entre Mamoré e URT. Jogando por um empate, a URT chegou a fazer 2 x 0, mas o Mamoré reagiu e empatou. Com o resultado de 2 x 2, a equipe da Avenida Brasil sagrou-se campeã com a seguinte escalação: Cabeção, Tonho da Nena, Foguinho, Adailton, Nonó, Jardim, Hélio Amorim, Careca, Badá, Farnezinho e Manoel. O Mamoré: Tonho, Gleuton, Fernando, Vado, Edson, Joãozinho, Amálio, Dengoso (Botões), Braga, Bosco, Tarzan (Caixeta)².

A imprensa da época registrou funestos acontecimentos envolvendo essa disputa, que descambou para uma guerra política. Palavras de Délio Borges da Fonseca no Jornal dos Municípios:

Para maior infelicidade nossa, aqui em Patos, até esporte é feito com o escopo de política partidária de P.S.D. e U.D.N. Os que assim agem, se esquecem de que esporte, não póde e não deve se confundir, se misturar com política, caso pretenda sobreviver. Percebemos, de certo tempo a esta parte, que alguns elementos, não sabemos se por ingenuidade ou por má fé, fazem tal jogo confusionista, com a intenção de separar Mamoré e URT, como se separam P.S.D. e U.D.N. Existem Uerretenses convictos, que são Pessedistas a toda prova, ao mesmo tempo que existem Mamorenses apaixonados, que são Udenistas cem por cento. Faço, desta coluna, um apêlo a todos quantos, por suas palavras, seus gestos e suas ações, pretendem misturar ou confundir as duas coisas. Pois se tal desideratum fôr alcançado por estes inimigos do esporte, poderemos então, preparar o melancólico funeral do Futeból de Patos de Minas. Para sua própria sobrevivência, os nossos grêmios, não deverão deixar nunca, o seu caráter esportivo, para se transformarem em clubes políticos, ao sabor de interesses mesquinhos, ocultos ou evidentes, mas sempre condenáveis.

No mesmo Jornal dos Municípios, palavras de “Jota Patense”:

Apelamos para a administração dos nossos clubes, principalmente para os presidentes dos dois mais antigos, medicos distintos, no sentido de uma melhor e mais esmerada educação esportiva e social para seus jogadores e adeptos. O esporte bem exercitado sobre ser um indispensável fator para o desenvolvimento fisico, deve ser aproveitado, tanto quanto possível, para a socialização de seus participantes. É a ação benefica e salutar do meio, tão conhecida e apregoada, e que está sendo anulada pela dispersão do elemento bom, sadio e educado. Eduquemos, portanto, os nossos desportistas, ou nossas familias não participarão mais de suas festas.

No meio dessa disputa esportiva-política, a homenagem que o Mamoré presta à URT pela conquista do 1.º turno, assinada pela Rainha Clélia Vaz, parece fora de propósito. Ironia ou realmente uma atitude para apaziguar os ânimos?

* 1: Leia “Fundada a Liga Patense de Desportos”.

* 2: O Esporte Clube Mamoré venceu o segundo turno. O título de Campeão Patense de Futebol foi disputado em três partidas. Leia “Mamoré: O Primeiro Campeão” e “Mamoré: O 1.º Campeão da LPD”.

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann.

* Fonte e foto: Edição de 28 de outubro de 1956 do Jornal dos Municípios, do arquivo da Fundação Casa da Cultura do Milho.

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