PATENSES PRONTOS PARA A 2.ª GUERRA MUNDIAL

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TEXTO: JORNAL FOLHA DE PATOS (1942)

Em recente decreto, o Governo da República autoriza a mobilização geral do país e conclama os brasileiros ao dever imperioso e sagrado da defesa da Patria.

Os corsarios do mar continuam a desbaratar traiçoeiramente os nossos navios mercantes, afundando ultimamente o vapor Barbacena e o navio-tanque Piave.

Embora a covardia inimiga se retraia ao ataque submarino, como o homem sem dignidade se oculta no anonimato, o povo brasileiro precisa congregar-se e preparar-se para caçar o inimigo insidioso e dar-lhe combate, onde quer que ele se esconda.

Os ataques dos eixistas totalitarios são de tamanha covardia e se revestem de tão requintada crueldade que, apesar da fama espetacular de inimigo invencível com que o alemão procura projetar-se e que vive alardeando, os povos pacíficos por natureza e não preparados para uma luta mais de felonia que de bravura, vêm recebendo, no entanto, com o maior destemor e coragem a noticia de que, por seu turno, enfrentarão os tais invenciveis.

Assim é que a noticia da mobilização dos brasileiros, nesta hora de extrema gravidade, correu célere pela cidade no dia de sua decretação, encontrando cada patense com o espirito voltado para a Patria e disposto a defendê-la com ardor e sacrificio.

A nossa cidade que a 7 de setembro  revelou um grau de civismo que ultrapassou as expectativas mais otimistas; que viveu horas de intenso entusiasmo pela nobre causada liberdade; que desenhou com um colorido indescritivel a mais estupenda expressão de patriotismo, sem uma quebra na sua homogeneidade irrestrita; esta cidade que há pouco cultuou a memoria de Olegario Maciel, como protótipo de firmeza e de sinceridade patriotica de nossa gente¹ − teria mesmo que receber com a maior vibração de entusiasmo e fé a palavra de ordem do governo que nos organiza para a defesa da patria que ousam querer conspurcar.

Incentivando o nosso amor entranhado ao torrão que nos viu nascer, ai está a atitude heroica, que tocou de perto o coração brasileiro, do eminente General Agustin P. Justo que, na Argentina, colocou a sua espada desembainhada a serviço de nosso país.

Tão grande é o espírito cavalhereisco de nossa patria, tanta bondade, lhaneza e ternura se respiram em nosso ambiente oxigenado e puro, que o nobre gesto desse General ilustre vem sendo secundado, bravamente, por outras patentes daquele povo irmão.

Se o Brasil comemorasse uma grande data com a solidariedade de vultos tão eminentes, essa solidariedade era um gesto de cortezia que muito nos honraria e nos alegraria, mas o pronunciamento de soldados da estatura invulgar de um General Justo se deu no momento em que fomos atacados rudemente e em que declarávamos guerra ao inimigo cruel e deshumano.

O pronunciamento impressionante e arrebatador se deu no instante em que, ao envez de taça de champanhe, só poderiamos oferecer ao grande amigo o amarissimo cálice de amarguras, não se detendo, porisso, na comovedora expressão de sua nobreza para penetrar a inteligencia da nacionalidade, no anseio de vestirmos todos a gloriosa farda do Exercito Nacional que o General Justo vestiu para honrar e glorificar.

Em meio ao entusiasmo rebrilhante desses exemplos e dessas atitudes empolgantes é que os clarins começaram a soar para a guerra, encontrando os patenses em posição de sentido².

* 1: Leia “Grande e Imponente Desfile de 7 de Setembro de 1942” e “Ecos da Semana da Pátria em 1942”.

* 2: Leia “Força Expedicionária Patense” e “A Chegada de Dois Expedicionários Patenses”.

* Fonte: Texto publicado com o título “Mobilização Geral” na edição de 20 de setembro de 1942 do jornal Folha de Patos, do arquivo da Fundação Casa da Cultura do Milho.

* Foto: Navio Mercante SS Barbacena. Na madrugada de 28 de julho, às 06:15 (UTC), a aproximadamente 400 km a leste de Barbados/Georgetown, o navio virou, quando, numa segunda tentativa, foi atingido por 2 torpedos disparados pelo submarino alemão U-155, fazendo-o submergir completamente em apenas 20 minutos, tempo que a tripulação sobrevivente possuiu para abandoná-lo. Morreram instantaneamente três membros da tripulação e três militares que guarneciam o canhão, deixando 56 sobreviventes. Estes ficaram em 4 botes salva-vidas, sendo cada bote resgatado por 2 cargueiros/baleeiros britânicos, Elmdale e San Fabian, e o navio tanque a vapor argentino Tacito. Um bote alcançou a Ilha de Trinidad e Tobago. O submarino alemão ainda teria canhoneado uma baleeira com sobreviventes do Barbacena por crueldade. (Fabrício Robson de Oliveira em Portalfeb.com.br.).

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