TUNIQUINHO DO MUNDO DA LUA

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Todos os dias de manhãzinha lá ia o Tuniquinho da Dona Dorça vender as suas alfaces que cultivava no quintal de sua casa próxima a Lagoa Grande, que naquele seu tempo era ainda conhecida como Lagoa dos Japoneses. E ele, o Tuniquinho, tinha um que de traços orientais. Ninguém sabia o porquê, mas que tinha, tinha. Pois bem, o Tuniquinho era o tipo do caboclo supimpa, dava-se bem com todo mundo e na sua simplicidade financeira era mais feliz que muito graúdo da Cidade.

Porém, ele, com certeza, vivia no mundo da Lua, tamanha as suas demonstrações de falta de atenção e compreensão das coisas cotidianas. Certa vez resolveu comprar uma caneca, mas, como destro, recusou quando o vendedor a depositou no balcão porque a asa estava voltada para o lado esquerdo. O vendedor foi buscar outra, mas voltou com a mesma e desta feita colocou-a no balcão com a asa voltada para a direita. Aí o Tuniquinho comprou.

Foi uma noite caiu um tremendo toró quando ele já estava deitado. Não demorou muito começou a gotejar bem em cima da barriga dele. O Tuniquinho não pensou nem meia vez para pegar uma bacia e aconchegá-la sobre a pança para aparar a água, ao invés de mudar a cama de lugar e usar a bacia para impedir a molhança do piso.

Quando o avoado teve infecção intestinal que lhe causou uma diarreia de fazer dó, saiu do Hospital Regional com uma receita de antibiótico e de soro caseiro com a recomendação de tomar uma colher de sopa do soro de hora em hora. E o que o aloprado Tuniquinho fez? Uma baita panelada de sopa e tomava uma colher de hora em hora junto com o remédio. O trem complicou e foi um custo ele entender as novas recomendações médicas.

A simplória casa do Tuniquinho era daquelas antigas, de assoalho. Ao ouvir miados de gatinhos no local, inquietou-se, sem entender como foram parar ali e preocupado em salvar os bichinhos, arrancou várias tábuas sem atinar que a mãe os pariu naquele local e que sairiam de lá sem problemas.

A pior mania do Tuniquinho era ler qualquer coisa à noite à luz de uma vela para economizar energia. Prevenido, colocava a vela numa banqueta a certa distância da cama. Quando vinha o sono, para apagar a vela e não querendo se levantar, jogava uma toalhinha úmida. O incrível é que, quando ele errava, se levantava, deitava e tentava novamente quantas vezes fosse necessária, sem atentar que na primeira errada, já que estava ao lado da vela, poderia apagá-la, ou então posicioná-la mais perto da cama ao alcance de um sopro.

E assim era o saudoso Tuniquinho da Dona Dorça.

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann.

* Foto: Montagem de Eitel Teixeira Dannemann sobre foto publicada em 28/02/2013 com o título “Prefeitura em 1916”.

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