CRENDICES DE ANTIGAMENTE QUE RESISTEM AO TEMPO

Postado por e arquivado em ARTIGOS.

TEXTO: AGENOR GONZAGA (1981)

Não mistura manga com leite que faz mal, menino! Comeu ovo, né? então não pode comer pepino de jeito nenhum! Olha que manga com banana dá acesso. Dorme de barriga cheia que Pesadelo vem e te pisa na barriga. Se não catar direito o marinheiro do arroz te dá apendicite…

Anda de fasto que a mãe morre. Quenta fogo de noite, viu? Quer mijar na cama, diabo? Não aponta pras estrelas que nasce berruga na ponta do dedo. Bate na mãe pra você ver: sua mão seca! Toma cuidado, que menino que passa debaixo do arco-da-velha vira menina. Não joga sal no fogo que a boiada estoura. Visita mais impertinente! Põe uma vassoura atrás da porta, finca um garfo na parede que ela vai embora!

Não tira menino do quarto antes do sétimo dia que pode dar tétano. Já pôs fumo e azeite no umbiguinho dele? Faz cair mais depressa. Leva na benzedeira, isso é vento virado. Carvão boiou, não falei? Tava era cheio de quebranto. O ramo murchou por causa do mau olhado. Olho gordo quem tem é ele: desanda até sabão no fogo…

Quebrou espelho? Sete anos de azar. Cruza na rua com gato preto, cruza. Passa debaixo da escada, então, se você é homem… Pensa que não atrai desgraça? Na hora de levantar, cuidado pra não pôr o pé esquerdo primeiro no chão: faz as coisas andar para trás o dia inteiro. O Zé também não acreditava, andou de costas e deu um atraso na vida dele que só vendo.

Não mexe com tesoura em dia de chuva que atrai raio. Anda, cobre os espelhos que está relampeando. Desvira o sapo, senão não chove…

Não dê sua cama pra ninguém dormir que tira a sorte. Virou chinelo de boca pra baixo, chamou azar. Foi feitiço que botaram em você…

Agosto é mês azarento, não sabe? O pior é que, quando o pinheiro cresce mais que a casa, morre alguém na casa. Cende uma vela pra alumiar o caminho dele, coitado!

* Fonte: Texto publicado na coluna Encontro Marcado com o título “Sexta-Feira 13 (folcrônica em 7 partes)” na edição n.º 25 de 31 de maio de 1981 da revista A Debulha, do arquivo de Eitel Teixeira Dannemann, doação de João Marcos Pacheco.

* Foto: Mexidodeideias.com.br.

Compartilhe