DEIXAREI SAUDADE − 131

Postado por e arquivado em 2020, DÉCADA DE 2020, FOTOS.

Uai, sô, por um acaso não existe mais dengue, chikungunya, zika, sarampo, H1N1, câncer, tuberculose, gonorreia, maleita, chatura e outras tantas? Minhas atentas paredes ouviam demais da conta sobre essas doenças. De repente, sumiram, aqui dentro só se fala nesse tal de Covid-19. É ligar a TV e lá vem Covid-19. É alguém saindo e lá vem: − cadê a máscara, cuidado com as filas, passa álcool nas mãos, não cumprimente ninguém e muito menos chegue perto… e por aí vai. Além do mais, as visitas sumiram, é gente no telefone e nas redes sociais o dia todo, a noite toda. E o pior é que, sei lá, cá entre nós, não espalha, mas acho que o povo aqui anda um cadiquinho estressado. Resultado: foi-se o meu sossego! E era nesse sossego que eu amainava a minha mágoa, minha ansiedade de estar vivendo numa região onde, gradativamente, todas as casas serão substituídas por edifícios, como já vem acontecendo há muito tempo¹. De que adianta eu fazer parte da História de Patos de Minas se, mais dia ou menos dia, vou ser derrubada? Tem dó, Deiró! De tanto ouvir sobre Covid-19 até já estou sentindo vontade de me contaminar com esse troço para sumir logo do mapa. E quando isso acontecer, ora se não, deixarei saudade!

* 1: O imóvel localiza-se à Praça Antônio Dias.

* Texto e foto (28/07/2020): Eitel Teixeira Dannemann.

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