1.º POUSO DE UM AVIÃO

Postado por e arquivado em DÉCADA DE 1930, FOTOS.

O primeiro avião a descer em Patos de Minas, em 04 de junho de 1936, provocou enorme rebuliço e foi um pouso forçado por falta de combustível. Era um típico teco-teco “Tocantins 666” avermelhado de asas duplas com cabine aberta. As pessoas estranharam tanto que ao passar baixo sobre olarias situadas na Lagoinha foi alvo de dois tiros de espingarda polveira. Felizmente, nada aconteceu. Fora das rotas aéreas, Patos não conhecia o avião. Nem mesmo visto no alto. Os poucos filmes de aviação, mostrados pelo Cine Glória¹, jornais e revistas com gravuras de aviões formavam o conhecimento mais próximo que a maioria dos patenses tinha do invento de Santos Dumont.

Quando o avião pousou², por volta das 15 horas, a cidade estava em processo de contagem de votos das eleições para prefeito e vereadores. Tão logo a notícia chegou ao Fórum, que se encontrava lotado, foi uma correria tremenda, a ponto dele ficar com apenas 3 pessoas vigiando as urnas eleitorais: José Secundino de Araújo Fonseca, Deiró Eunápio Borges e Zama Maciel. Até os três Juízes Eleitorais apuradores, o de Patos de Minas, o de Paracatu e o de Carmo do Paranaíba, foram ver o aparelho. As professoras do Grupo Marcolino de Barros não puderam conter os alunos, que saíram até pelas janelas a fim de ver o “pássaro metálico voante”.

Os dois tripulantes foram recebidos por Amadeu Dias Maciel e praticamente toda a cidade. Foi um tal de pega aqui, pega ali, afinal queriam ter um contato real com aquela coisa. No outro dia, carros de bois lotados, gente a pé, a cavalo, às centenas, vinham engrossar a turma curiosa. Foi necessário um destacamento da polícia para proteger a aeronave.

O avião e seus dois tripulantes permaneceram na cidade durante mais de uma semana, aguardando combustível que viria de Belo Horizonte. Enquanto isso o Prefeito Clarimundo José da Fonseca Sobrinho mandou preparar o campo improvisado, a fim de que o avião pudesse levantar vôo. No instante da decolagem, uma verdadeira multidão se postou no local, a fim de assistir ao evento. Após a decolagem, o avião sobrevoou mais uma vez a cidade, para depois apanhar a sua rota.

Desde então, o entusiasmo pelo avião tomou conta dos patenses. Todos queriam uma linha aérea passando por Patos, fato que só aconteceu em 1941, quando a Panair inaugurou a rota Rio-Belo Horizonte-Patos-Goiânia.

1.º POUSO

* 1: Leia “Cine Glória”.

* 2 – Quanto ao local de pouso do avião, Geraldo Fonseca diz que foi no “Chapadão”, sem caracterizar o local. Oliveira Mello diz que foi no campo de futebol do SPS (onde se encontra hoje o Hospital Imaculada Conceição). Na verdade, toda aquela região era chamada de “Chapadão”.

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann.

* Fonte: Domínios de Pecuários e Enxadachins, de Geraldo Fonseca e Patos de Minas: Capital do Milho, de Oliveira Mello.

* Foto: Arquivo MuP.

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