MONUMENTO AO HOMEM DO CAMPO

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Corria o mês de abril de 1961. A Igreja Santa Terezinha, no Bairro do Brasil, estava sendo decorada pelos artistas espanhóis, irmãos Enrique, Carlos Pachon Sanchez e Antônio Dias Lopez. Padre Almir Neves de Medeiros, em conversa mantida com estes três artistas, em sua oficina de trabalho na Igreja, comentava a falta de monumentos em nossas praças. Daí nasceu a ideia de se oferecer ao então Prefeito Sebastião Alves do Nascimento (Binga) os préstimos desses artistas para que fosse erguido, aqui em Patos de Minas, um monumento ao nosso esquecido homem do campo. A ideia, levada ao Chefe do Executivo patense, foi aceita de pronto. Antônio Diaz Lopes encarregou-se do esboço do monumento, que hoje se encontra em um dos jardins de nossa Avenida Getúlio Vargas, no quarteirão compreendido entre as Ruas Marechal Floriano e Farnese Maciel, cabendo a sua execução a Enrique e Carlos Pachon Sanchez. Foi por sugestão do Padre Almir Neves de Medeiros que o Prefeito Binga acatou a ideia e a levou adiante. Para aprovação da verba, foi pedida ajuda à Câmara Municipal. Na ocasião se discutiu, entre outras coisas, um pormenor bastante interessante: sobre qual ombro deveria ficar o balaio de milho carregado pelo homem do campo.

Aprovada a verba do custo da obra, Cr$ 150.000,00 velhos, logo foi levada avante a execução do monumento, ficando pronto para ser inaugurado durante a III Festa do Milho, o que se deu no dia 24 de maio de 1961, na presença de autoridades locais e estaduais, como o então Governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, e do Deputado Federal Gabriel de Rezende Passos, além de grande participação do povo.

E lá está o homem do campo imortalizado na pedra, como símbolo dos heróis anônimos da grandeza econômica de nossa terra, tendo ao pedestal a inscrição: O Município ao seu “Herói Anônimo” – Mandado erigir pelo Prefeito Sebastião Alves do Nascimento no dia 24 de maio de 1961 – Patos de Minas.

Em 25 de abril de 2011, o jornal eletrônico “PatosHoje” publicou a seguinte matéria:

O monumento “Ao Herói Anônimo” em homenagem ao homem do campo voltou a ser atacado por vândalos. Desta vez a escultura, carinhosamente conhecida como “O Homem do Balaio”, ficou sem o braço. A diretoria de Patrimônio da Prefeitura de Patos de Minas vai levar o caso à polícia para que os responsáveis pelo ataque sejam punidos.

O monumento foi construído na década de 50¹ para prestar uma homenagem ao homem do campo. O mesmo artista espanhol que esculpiu o homem com o balaio de milho nas costas voltou a Patos de Minas em 2001, quase 50 anos depois, para restaurar a peça que já havia sido atacada por vândalos e estava sem uma das mãos.

Assim como toda a Praça da avenida Getúlio Vargas, a escultura do homem do campo é tombada pelo Patrimônio Histórico. E além do valor histórico e cultural, o monumento também é valioso. Só para fazer a restauração da peça, a Prefeitura terá que desembolsar um bom valor em dinheiro. Um novo braço, igual ao original, terá que ser construído.

Outra alternativa é localizar o braço que foi retirado do homem do campo. As pessoas que tiverem informações que possam levar aos autores devem ligar para a polícia.

O tempo passou e o valoroso homem do campo continua sem o seu braço esquerdo.

* 1: Há um equívoco da reportagem, pois o monumento foi inaugurado em 1961.

* Fontes: Patos de Minas: Capital do Milho, de Oliveira Mello; Jornal eletrônico PatosHoje.

* Foto 1: Panoramio.com.

* Foto 2: Jornal eletrônico PatosHoje.

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