PIONEIROS DA MÚSICA

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A2A música em Patos de Minas originou-se no final do século 19 com o maestro Francisco Amâncio, que comandava uma banda com seis integrantes. Seguiram-se os maestros Franklin e José Maria Valeriani. Este, em 1881, começou a dar aulas de música, tendo como alunos Randolfo Duarte Campos, Olímpio José da Rocha, João Ambrósio dos Santos, Teobaldo Rocha, José Andrade e Felipe Leão Corrêa.

Por volta de 1910 o Maestro Valeriani fundou a banda de música A Filarmônica Fraternidade, composta por seus alunos. Com o seu falecimento, Randolfo Duarte Campos, que sobressaía por seus dotes artísticos, assumiu a regência e reorganizou a banda, imprimindo-lhe nova orientação. Permaneceu em atividades até princípios de 1918, quando alguns elementos mais antigos, na sua maioria, se rebelaram e fundaram outra banda, sob a direção de João Ambrósio dos Santos e regência de Olímpio José da Rocha, que teve muita curta duração, e era conhecida por Banda do Maestro Olímpio Rocha.

O Professor Modesto de Melo Ribeiro, na mesma época em que o Maestro Valeriani fundou a Filarmônica Fraternidade, criou a Filarmônica Santa Cecília, constituída dos músicos Augusto Borges, Antônio Bruno, Telésforo de Melo Ribeiro, João Gonçalves Pinheiro, Teobaldo Rocha, Romualdo Rocha, José Antônio Borges e Amador Gonçalves de Amorim. Dentro de algum tempo, com a criação do Grupo Escolar Marcolino de Barros, do qual o Professor Modesto passou a ser diretor, e por acúmulo de serviço, passou a sua direção ao maestro Augusto Borges. Nela outros elementos se integraram como Arlindo e Laurindo Borges. Com a extinção da Banda do Maestro Olímpio Rocha, alguns de seus músicos, como Ildefonso Bernardes, o próprio Olímpio, Uáscar e Antônio Corrêa, passaram a fazer parte daquela. Finalmente, passou a regê-la José Dias dos Reis (Ita), com os mesmos componentes acrescidos de João Borges de Andrade. Quando sob sua direção, extinguiu-se em outubro de 1937.

digitalizar0003Tanto a Fraternidade como a Santa Cecília marcou época na vida artístico-musical de Patos de Minas daquele tempo, uma vez que ambas proporcionavam retretas, em domingos alternados, no coreto do jardim e participavam de todos os acontecimentos festivos e marcantes da comunidade.

O Maestro Randolfo Duarte Campos, que sempre contou com o apoio do Cel. Farnese Dias Maciel e de outros chefes políticos locais, juntamente com o entusiasta da música Cel. Arthur Thomaz de Magalhães, não desanimou. Criou uma nova banda, ensinando a novos elementos, na sua maioria meninos de 8 a 14 anos, estreando numa retreta no coreto do jardim, defronte ao Cine Magalhães¹ e com sobrevivência até princípios de 1926.

O Maestro Randolfo, nessa época, cessou a sua atividade como regente nesta cidade, apesar de continuá-la em outras cidades, como Presidente Olegário, Nova Ponte, Uberaba, Araxá, Araguari, Patrocínio e Ibiá. Regressou novamente a Patos de Minas, onde continuou exercendo a arte musical.

Em 1926, organizou-se outra banda, conhecida como Banda de João Carlos, uma vez que seu maestro era o João Carlos e teve atividades ininterruptas até 1929, quando se extinguiu.

Com a vinda do sargento Lupércio Taveira, o qual era músico do 1.º Batalhão de Polícia de Belo Horizonte, organizou-se em 1931 a Banda do Lupércio, com curta existência, pois com a revolução constitucionalista de 1932, formou-se um batalhão na cidade, do qual o sargento Lupércio se tornou chefe. Mas a banda se reanimou sob a direção de Ildefonso e Arlindo Bernardes, que lhe deram sobrevivência até meados de 1941.

Posteriormente, o sargento Lupércio Taveira deixa o batalhão e regressa para Patos de Minas, onde incentivou a organização de outra banda, com o nome de Olegário Maciel, sob a regência do maestro João Duarte Campos (Zico), da qual era integrante e orientador o maestro Randolfo. Esta banda sobreviveu até 1941, quando faleceu o maestro Randolfo, cujo sepultamento ela compareceu incorporada com uma fita preta em cada um dos instrumentos, como última homenagem ao tão querido maestro de várias gerações.

O maestro Messias Feliciano Ferreira, em 1942, criou a Banda da Lira Patense, composta de operários. Teve duração de alguns anos, e participou de todos os grandes eventos da terra, sobressaindo no regresso dos primeiros pracinhas de Patos de Minas, em agosto de 1945.

Durante muito tempo, a nossa cidade ficou sem uma banda de música, até que em 1958 o capuchinho Pe. Frei David de Bronti, animado por Dom José André Coimbra, então Bispo Diocesano e grande amigo e admirador de bandas de música, organizou a Banda Lira Mariana Patense, tendo como regente João Duarte Campos (Zico). Era de propriedade das Congregações Marianas de Patos de Minas. Intenso foi o seu entusiasmo e progresso. Esteve em Belo Horizonte abrilhantando uma festa religiosa na paróquia da Pompéia e, na oportunidade, apresentou-se na Rádio Guarani e na TV Itacolomi, obtendo grande sucesso. Em 1963, caiu em decadência e foi reorganizada, sendo seu regente Sebastião Pereira e, finalmente, o maestro Cícero Nunes Campos. Deixou de existir em princípios de 1966.

O Maestro Randolfo Duarte Campos, além das bandas que regeu e organizou, também foi o pioneiro quanto à organização de orquestras. Certa vez formou uma orquestra composta de seus filhos. Esta orquestra tocava nos cinemas mudos, animava os bailes da época e apresentou-se muitas vezes no coreto do jardim público.

Não podemos deixar no esquecimento o trabalho executado pelo Pe. Antônio Alves de Oliveira, quando cura da Catedral, em favor da música sacra. Foi o seu período áureo. Organizou um coro misto da Catedral e o regeu durante todo o tempo de seu curato².

* 1: O Cine Magalhães funcionava num casarão na esquina da Rua Olegário Maciel com Avenida Getúlio Vargas, onde hoje se localiza a Rádio Clube de Patos.

* 2: Pe. Antônio Alves de Oliveira assumiu o curato em 1958, dando início à construção dos jardins da Igreja e cercando a área dos fundos, com grades. Durante seu paroquato, realizou-se a Sagração da Catedral, em outubro de 1961. Faleceu em 5 de junho de 1964, no Estado de São Paulo, em acidente rodoviário, aos 42 anos.

* Fonte: Patos de Minas: Capital do Milho, de Oliveira Mello.

* Foto 1: Jornaldocariri.com.

* Foto 2: Do livro Domínio de Pecuários e Enxadachins, de Geraldo Fonseca.

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