COMÉRCIO: TODOS CONTRA O RESTO

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A2TEXTO: JORNAL CORREIO DE PATOS (1985)

O grande movimento de fim de ano que vem efervescendo o comércio local deixou evidenciar a preferência do consumidor pelas lojas que vieram de fora para se estabelecer em Patos.

Quem passar em frente a Impasa, pode avaliar a consequência deste fato ao ler na vitrine daquela loja uma faixa se referindo à necessidade de se dar preferência ao comércio da terra. Ao enfiar a mão no bolso, porém, o consumidor patense  está muito mais disposto a levar vantagem, do que alimentar o bairrismo que inegavelmente possui. Na realidade, fica muito difícil não levar em consideração a diferença de preços existente entre o Mig, a Onogás e a Arapuã, e algumas lojas de Patos. É lógico que deve ser levado em consideração que as lojas de fora são empresas de grande porte, com atuação ostensiva em vários pontos do país. É óbvio também que elas adquirem muito maior quantidade de produtos do que as lojas de Patos, o que as permite comprar mais barato e logicamente vender mais barato. Diante desta situação o comerciante patense nada tem senão assistir o crescente movimento de seus concorrentes forasteiros. Mas o que fazer para amenizar a queda de venda que certamente tem acontecido ao comerciante patense?

Dentro da lei, nada. A concorrência é uma consequência saudável e natural na livre iniciativa. Não existe também uma forma legal de ajudar o comerciante patense porque a lei não pode ter tal paternalismo. Por outro lado, o Mig, a Onogás e a Arapuã, e outras empresas que vieram se instalar em Patos, merecem respeito porque trouxeram grandes benefícios à sociedade, principalmente na absorção de mão-de-obra. A iniciativa de regular esta balança na praça cabe apenas àqueles que se sentem prejudicados. Em São Paulo, por exemplo, pequenos lojistas conseguiram esta proeza através de um sistema que ficou denominado como Multiempresa. Este sistema consiste na união de vários pequenos lojistas no momento de efetuarem suas compras. Vamos supor que em Patos de Minas a Impasa, a Casa das Representações, a Mobilar e outras lojas resolvessem comprar determinado número de televisores. Vamos imaginar então que cada loja quisesse dez aparelhos. Se estas lojas se unissem e fizessem apenas um pedido do número de televisores que necessitassem, o fornecedor teria um pedido respeitável e portanto digno de uma possível negociação em termos de descontos, o que representaria menor custo aos proprietários das lojas. Assim funciona a Multiempresa em São Paulo, e nada impede que também possa vir a dar certo em Patos. Esta talvez fosse uma saída coerente e uma maneira viável de unir todos contra o resto.

* Fonte: Texto publicado com o título “Todos Contra o Resto” na edição de 22 de dezembro de 1985 do jornal Correio de Patos, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Essaseoutras.xpg.com.

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