NOVA RODOVIÁRIA A CAMINHO

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RODOAté o início da década de 1950, Patos de Minas não contava com uma característica Estação Rodoviária. Pontos estratégicos na cidade serviam de embarque e desembarque de passageiros. Construída pelo concessionário Sebastião Alves de Oliveira, na gestão do Prefeito Jacques Corrêa da Costa, a 1.ª estação rodoviária foi inaugurada em 14 de agosto de 1954 na Praça Desembargador Frederico. O tempo passou, a cidade se desenvolveu e em meados da década de 1970 ela já não mais atendia com o devido conforto ao crescente movimento de passageiros. As primeiras conversações e iniciativas sobre a necessidade de uma nova Rodoviária aconteceram na administração de Waldemar da Rocha Filho (1973-1977). Assumindo a Prefeitura em 01 de fevereiro de 1977, a incumbência ficou a cargo de Dácio Pereira da Fonseca. Em 06 de abril de 1978, num texto publicado na coluna “Tribuna do Prefeito” do jornal Folha Diocesana, com o título “Estação Rodoviária Ainda”, Dácio vislumbra que a Nova Rodoviária já está a caminho:

Dentro em pouco teremos iniciadas as obras do Terminal Rodoviário de Patos de Minas. Este, entre inúmeros, é um dos grandes problemas que vêm desafiando administrações, mas agora esperamos solucioná-lo.

Ninguém em Patos de Minas contesta a necessidade de uma nova Rodoviária. Todavia, há quem gostaria que a atual administração não enfrentasse a obra, pelo receio de que ela marcasse o governo. Receio, evidentemente, tolo, de “administrador de cafezinho”, como já me referi anteriormente. Infelizmente, em nossa cidade, há quem ainda não se deu conta de que hoje vivemos outros tempos. Outra mentalidade está surgindo. Também de que o atual Prefeito não tem outra vaidade, senão a de estar a serviço da comunidade. O problema da Rodoviária suscita duas questões, dos que são a favor mas que são contra (entenda-se…). A primeira quanto a localização. Há quem diga que ela deveria situar-se na saída de Presidente Olegário, Bairro Caramuru, etc. e ainda, que será construída em uma lagoa, sem base, ou firmeza. A resposta é a seguinte: quem escolheu o local não fui eu, nem meu antecessor, mas técnicos em urbanismo que nos deram uma plano diretor, um sistema viário e uma completa infra estrutura administrativa, o extinto SERFHAU (Serviço Federal de Habitação e Urbanismo) que examinou todas as alternativas para uma Rodoviária e optou por aquela. O fato de ser lugar úmido, difícil para uma boa fundação, também improcede. Tentando escoar a lagoa nestas últimas chuvas, esbarramos com uma larga rocha que a retroescavadeira não conseguiu rasgar para aliviar as ruas Sergipe e Acre das águas.

Aliás, falando em rua Sergipe e adjacências devo fazer um esclarecimento: No “Jornal dos Municípios”, penúltima edição, o meu particular amigo Antônio Caetano de Menezes, que se intitula “O Implicante”, mas a quem apelo para modificar o pseudônimo assinando como “O Colaborador”, foram feitas algumas observações muito procedentes e que muito me alertaram sobre o não cumprimento de ordens dadas. Tem acontecido isto, mas tenho chamado meus colaboradores “à regulagem”. Apenas uma insinuação não aceito. A de que sou Prefeito de Gabinete, e por ser um Dr., não vou pessoalmente visitar as obras e serviços. Governo do meu Gabinete, mas não me omito na presença às obras e serviços, não só na zona urbana, como também na zona rural.

Muitas vezes estou para um lado e a minha Chefe de Gabinete, a Dilza, para outro, inclusive almoçando ou jantando com os nossos funcionários para saber como estão as coisas. É certo que há muita sabotagem, mas, com frequência o “bilhete azul” funciona, para quem gosta de “dar nó em serviço”, como é a nossa terminologia. Temos fiscalizado com muito maior empenho do que se supõe, nem sempre no carro preto oficial, mas de caminhonete, Passat, Volks, Chevette, etc. No caso específico de “O Implicante”, digo melhor, de “O Colaborador”, o que houve na realidade é que não coincidem as horas que passamos lá pelos lados do Cristo Redentor.

A segunda questão sobre a Rodoviária ficará para o próximo número. Por que a Rodoviária não será construída por empresários de Patos de Minas? Afinal de contas estamos ou não empenhados em prestigiar o que é nosso? Tudo tem resposta.

Como ficou dito, o Prefeito Dácio Pereira da Fonseca ficou de explicar o porquê empresários de Patos de Minas não foram selecionados para a construção da nova Estação Rodoviária. A explicação veio também na coluna “Tribuna do Prefeito” do mesmo jornal Folha Diocesana, em sua edição seguinte:

Anteriormente me referi às questões suscitadas sobre a construção do novo Terminal Rodoviário. Hoje explicaremos porque não será construída por empresários patenses. Fui procurado por quem me fez esta pergunta, argumentando a atitude do Prefeito, em uma hora em que conclamo o povo para prestigiar o que é nosso. A minha resposta, seca e simples foi: porque o nosso empresário não quis. Vai a explicação. Quando o Prefeito Waldemar quis construir outra Rodoviária fez um projeto aprovado em concorrência pública, chamou nossos empresários. Mas as propostas que recebeu só davam vantagens a eles. Construiriam a Rodoviária, ficariam com a exploração e ainda, de rebarba, queriam terrenos nas adjacências muito valorizados pela obra. Lógico que o ex-prefeito não poderia aceitar. Por isso não fez a Rodoviária.

Agora, no meu governo, apareceu-me um grupo propondo construir o terminal, dando à Prefeitura a exploração e a área administrativa, em um valor correspondente ao dobro do terreno ocupado. Confesso que fui grosseiro com a outra parte, disse-lhe que, em Patos de Minas temos um ditado: “negócio bom não atravessa o Paranaíba para nós”. E aquele me parecia um negócio espetacular, a Rodoviária seria construída sem nenhuma despesa para a Prefeitura, que entraria na exploração imediata e ainda receberia a área da administração. Nem com o projeto arquitetônico teríamos despesa. A resposta que tive foi também franca. Se o negócio era bom para nós, melhor ainda para eles. E veio a explicação, o tipo “ovo de Colombo”. A Rodoviária seria edificada mediante incorporação, paga pelos proprietários das lojas, com o lucro deles e ficando-me o que interessa em uma Estação Rodoviária. Entusiasmei-me com a idéia. Eu poderia construí-la financiada, mas para que contrair empréstimo com o que poderia vir de graça e ainda investir em lojas para depois ter dor de cabeça com aluguéis, condomínio e tudo aquilo que uma administração moderna não recomenda, ou seja o administrador preocupar-se mais com as atividades-meios do que com as atividades-fins. Nomeei uma comissão composta de técnicos, arquitetos, engenheiros, concessionários de linhas, usuários, etc., que examinou o projeto e a idéia oferecendo subsídios e modificações, surgindo um projeto um pouco diferente, mas adaptado à nossa realidade, com uma projeção para o futuro.

Esta idéia foi levada à Câmara de Vereadores, exposta pelos autores, tendo a Câmara também aplaudido e dado sugestões ao projeto. Dei publicidade de como seria construída a Rodoviária, através dos jornais, rádio, etc. Tudo isto consumiu meses, sem que nenhum patense topasse a parada ou oferecesse idéia melhor. Depois de tudo pronto, lei, projeto, contrato, tudo aprovado surgiu a indagação: Por que não foram prestigiados os empresários locais? Foi uma idéia que me foi trazida de fora, que e, em momento algum alguém daqui se interessou. Agora que Inês é morta, o assunto está liquidado. Não sei se Deus vai me dar esta graça de ver a nova Rodoviária, um prédio espaçoso, de linhas simples e graciosas, ampla visibilidade, compondo a paisagem com uma lagoa toda urbanizada, uma avenida sanitária contornando-a, iluminada a vapor de mercúrio. Este final vai ficar para outro. Consolar-me-ei em ter lutado para dar uma Rodoviária a altura de Patos de Minas, com uma capacidade inicial de 40.000 passageiros, embarcando e desembarcando diariamente, dez vezes mais a capacidade atual, e ainda com o dobro de área para expansão. Se eu não conseguir ver e admirar aquela composição paisagística acima descrita, por um motivo ou por outro, não me sentirei frustrado, pois sei que esta é a alegria de quem governa com os olhos voltados para as futuras gerações.

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann.

* Fonte: Jornal Folha Diocesana, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Imoveis.culturamix.com.

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