SOBRE MONSENHOR FLEURY

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FLEURYTEXTO: FOLHA DIOCESANA (1978)

É a casa¹ de Mons. Fleury.

Meus caros leitores, não é figura de retórica não, é a pura verdade: A porta da casa do Mons. Fleury permanece aberta.

Muitos amigos já tinham perguntado: Você conhece o Mons. Fleury?

Por falta de tempo, mas, mais mesmo por um pouco de negligência, não tinha ainda ido visita-lo, foi ele mesmo que chegou a me escrever e pela carta percebi que era uma dessas pessoas que marcam os lugares por onde passam e não se omitem nunca. A carta era um incentivo e um apoio ao jornal.

Fui procurar o Mons. e foi fácil pois a grande maioria sabe aonde ele mora.

Encontrei a casa aberta. Bati palmas e em resposta ouvi um convite vigoroso: Entra! Pensei comigo. Errei a casa! Mons. Fleury está com mais de noventa anos e essa voz me dá a impressão de uma pessoa nova.

Exitei, mas o convite era: Entra! Fui entrando. Saudei-o e ele me recebeu como se me conhecesse a muito tempo.

Logo me senti em casa e fui ouvindo as suas palavras cheias de sabedoria e prudência.

O que mais me impressionou é que Mons. Fleury é um jovem em suas idéias, não lhe daria mais do que trinta anos. Nele estão perfeitamente harmonisados noventa anos de experiência e prudência e os vinte e cinco anos de espírito. O que eu ouço continuamente dos jovens cheios de vida, no Colégio Marista, ouvi do Mons. Fleury. Um jovem que fez história em Araguari e em toda a diocese de Patos que muito deve a este que é ao mesmo pai e filho. Pai, porque foi o grande batalhador para a criação da diocese, ao mesmo tempo filho, pois a sua humildade exemplar fê-lo filho da diocese, porque sempre soube ser súbdito do bispo.

O que impressiona ainda em Mons. Fleury é sua inteligência viva, sabe com uma propriedade só dele, falar da atualidade, endoçando com a história que ele mesmo com sua vida e suas pregações conseguiu criar.

Fui apenas para fazer uma breve visita e quando percebi já tinham se passado quarenta e cinco minutos. A sua conversa é muito agradável e os momentos que se passa junto deste grande mestre, são momentos de um valor enorme.

Agora eu sei porque o Mons. Fleury é estimado por velhos, jovens e crianças. A sua casa está aberta para todos e sua jovialidade e inteligência cativa a todos os que gostam de palavras sábias e prudentes de um homem que vive o seu tempo.

Mons. Fleury é sem dúvida a maior riqueza humana que Patos possui e é com alegria que quero noticiar aos leitores do nosso jornal que ele me prometeu escrever para o mesmo. Aguardem portanto as palavras sábias e prudentes deste homem que é uma união perfeita de noventa e dois anos de experiência e sabedoria e do espírito jovem de vinte anos.

Os velhos gostam dele porque é de sua idade e tem a sua prudência; os jovens gostam dele, porque é um espírito jovem como eles e as crianças lhe querem bem, porque sabe ser simples com eles.

Mons. Fleury um sacerdote a quem a igreja em Patos muito deve.

Mons. Fleury um cidadão patense, título que mereceu por sua grande obra, construir uma igreja viva no povo de Deus e ter sido um dos grandes lutadores pelas causas de Patos.

* 1: Monsenhor Fleury morava na casa da Diocese, localizada na Rua Tenente Bino, n.º 141. A antiga casa foi totalmente remodelada e hoje serve de residência do Bispo.

* Fonte: Texto publicado na edição de 30 de novembro de 1978 do jornal Folha Diocesana, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Arquivo da Escola Estadual Monsenhor Fleury.

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