FOLCLÓRICO LINCOLN DO CHILON, O

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CARRONos idos de 1960/1970, Chilon Gonçalves era o fotógrafo oficial da cidade. Não havia festa de casamento, batizado, aniversário, homenagem, ou o que fosse, que ele não estivesse presente, sempre com sua Roleiflex a tiracolo. É bem verdade que muitas dessas fotos ninguém chegou a ver… O estranho é que comparecia, sempre guiando um velho Lincoln, do tamanho de uma carreta, e que gastava mais gasolina que uma frota de caminhões.

Só que ninguém podia falar que ele estrilava. O carro era sua coqueluche. Não adiantava argumento, conselho, nada mesmo, para ele dispor do “bicho”, que tinha nada menos de 12 cilindros, o que pode dar uma ideia de quanto gastava do precioso combustível. Certa feita quiseram mesmo comprar seu carro, para aproveitá-lo como carro funerário de uma agência que estava se instalando na cidade. Foi outra briga. Além desse grave defeito, não havia bateria que aguentasse o velho Lincoln. Desmoralizava, em poucos dias, qualquer uma que aparecesse. Que fazia o Chilon? Diariamente, colocava o carro na porta do estúdio fotográfico, tirava de lá os fios da força, e ligava na bateria. Dava a impressão de que o carro está amarrado.

O ato serviu para que um roceiro, que não estava entendendo a “Jogada” se pusesse a apreciar, e mais a perguntar. Ninguém sabia explicar bem a coisa, até que chegou o Azôr Faria. Escutou a conversa, as explicações, e acabou entrando no assunto, sem ser convidado, mas certo que poderia explicar tudo. Foi logo dizendo:

– Não é nada disso. É que o carro do Chilon é viciado, e ele teve de amarrá-lo. Imaginem que outro dia passou por aqui uma moça vestida de vermelho e o carro saiu doido atrás. Pensou que era uma bomba de gasolina…

* Texto: Eitel Teixeira Dannemann, baseado em “O Vício do Carro…”, publicado na edição de 24 de maio de 1969 do Jornal dos Municípios, do arquivo do Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de História (LEPEH) do Unipam.

* Foto: Ptdreamstime.com.

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